Minhas experiências com o 360

Após mais ou menos 1 mês, minhas conclusões sobre o 360.

A primeira coisa que salta aos olhos é uma relação lógica quebrada. Vejam só:

  1. O XBox 360 nacional possui um HD, que começou com 20 GB nos modelos antigos e agora é de 60 GB
  2. Mesmo depois de 2 anos após o lançamento "oficial" do console no Brasil não temos acesso à rede XBox Live
  3. Nenhum jogo* do 360 exige o uso de HD, fazendo com que ele só tenha sentido se for usado em conjunto com a Live

Conclusão: Por que a Microsoft (na verdade Officer) lançou o 360 com HD no Brasil se não temos Live?

Talvez porque eles sabiam o que o povo iria fazer: usar um endereço dos EUA e um código de Microsoft Points para conseguir uma assinatura Gold. Ou apenas para entrar com uma assinatura Silver mesmo, que é "di gratis".
Há um outro motivo para essa relação continuar quebrada: a pirataria e a importação (muitas vezes importabando) de consoles. Se a Live estivesse aqui oficialmente os caras da Microsoft (Officer) teriam que correr atrás de todos os consoles destravados, e ainda resolver certas situações como:

"-Meu 360 parou de acessar a Live.
- o que aconteceu?
- Meu primo queria jogar XXXX, e como era muito caro resolvi... resolvi... destravar o console para jogar jogos alternativos
- Como é? Violou a garantia? Sinto muito... (perdeu playboy!)"

"- Meu 360 Elite deu três luzes vermelhas
- Nossa, como o senhor conseguiu um desses? Ele não é vendido por nós....
- Sabe, eu fui em uma excursão para Foz do Iguaçu...
- Ah, entendi. Tenha um bom dia!"

Voltando a questão do HD, ele se torna totalmente inútil sem a Live. É como ter uma conexão ADSL ou fibra óptica de GBits e só ter a opção de gravar as coisas em um pendrive de 4 GB. Você consegue encher o pendrive em +/- 32 segundos (4 GBytes = 32 GBits). No caso do 360 nacional é até pior porque você tem 10 GB (ou 48 GB no modelo com 60 GB) que não vão servir para nada.

Por que o HD então? Não dava para tirar o HD e reduzir ainda mais o preço do console? Com mais pessoas usando o 360, daria para negociar a Live e até lançar outros modelos do console, como o Elite e (aí sim) o Pro com disco de 60 GB.

Resolvidas as questões do HD e da Live, vamos ao que é mais importante: o console em si e os jogos.

  • A Live Arcade é um dos meios mais simples de distribuir e comercializar games. Quando ela se tornar 100% global (tanto do lado dos desenvolvedores como dos usuários) ela vai ser o meio mais poderoso e completo de distribuição de jogos, filmes, etc. Podem anotar. (Portal XBox)
  • Os dois jogos que vieram no Kit Oficial Brasileiro são o PGR 4 e o Too Human. Joguei mais o segundo que o primeiro. Gosto de jogos de corrida, mas prefiro os jogos Arcade, como Daytona USA, Ridge Racer e Motorhead (alguém lembra desse?). Já o Too Human é legalzinho, mas tem uma dificuldade 8/80, e a história é até interessante mas muito enrolada, cheia de referências mitológicas (nórdicas, principalmente) e coisas do universo Cyberpunk. Por isso eu fui esperto e comprei mais um jogo....
  • ... Gears of War. Jogão, mas muito treta. Até você se acostumar com a falta de uma barra de life e de todo o esquema de se esconder para poder atacar demora um bocado. Depois disso o jogo fica muito interessante. Imagino como ele deve ser na modalidade multiplayer (preciso jogá-lo assim)
  • O jogo que mais joguei, contudo, foi Castlevania SOTN. Pois é, um console de última geração para um jogo com dez anos de idade. Demorei cerca de 16 horas para terminar todos os 200.6% do jogo. Ainda falta jogar com o Richter, mas isso fica para depois
  • Cloning Clyde é o jogo favorito da Mô. É casual, mas é meio complicadinho. Sua mecânica é bem básica, tem elementos de exploração e pode ser usado como boa referência para jogos casuais
  • Braid é um jogo legal. Simples demais mas, ao mesmo tempo, ultra complexo. Seria mais um jogo de plataforma se não fossem os textos que podem ser lidos antes de cada mundo, os quebra-cabeças (tanto os literais como os metafóricos) e todo o lance de voltar e avançar no tempo, de um jeito que funciona muito bem (diferente do bizonho Blinx: the Time Sweeper, do XBox). Pena que ele é curto, e em alguns momentos o protagonista (Tim) se comporta como o pior do Mario e do Sonic, principalmente nos pulos
  • Megaman 9 é a essência do jogo treta. Mas por ser tão treta ele é muito bom
  • Ikaruga é um clássico que merece ser jogado em todas as plataformas possíveis. Por isso já joguei no Dreamcast, tenho o do 360. Falta só o do Gamecube
  • Marble Blast Ultra foi uma agradável surpresa. Lembra Marble Madness, mas é muito mais divertido e desafiante. Tem modo multiplayer. E o principal para mim: foi feito usando a engine Torque Game Engine Advanced (ou Torque Shader Engine) pelo pessoal da própria Garage Games (responsáveis pela engine). Em 2009 talvez eu pegue uma licença dessa engine para fazer os meus jogos, quem sabe?
  • Blue Dragon é um RPG bem basicão, com uma trilha sonora boa (por enquanto) e ótimos gráficos (com cara de next-gen). Mas deve ser aqueles RPG's longos de doer
  • Joguei só o demo do Devil May Cry 4 (demo, devil, hehehe). Muito bom. Daí resolvi comprar o jogo. 240 reais. Desisti. Dei meia volta e o que encontro? O mesmo Devil May Cry 4, só que do PC. O preço? 80 reais. Três vezes mais barato. Peguei o do PC mesmo, até tenho um controle com fio do 360...

É isso. Mais novidades em breve (ou não, pois o Mestrado e a pré-banca vem aí).

(*) Tem um "jogo" do 360 que exige o HD: Ninety-Nine Nights. Mas é um jogo tão fraquinho que não conta...