Mirror's Edge, ou boa idéia que precisa de retoques

Joguei o demo do Mirror's Edge, novo título da Electronic Arts para consoles (acho que PS3 e 360). Aqui vão minhas impressões.

Vou começar pelo lado bom: graficamente o jogo é soberbo. Desenvolvido pelo pessoal da DICE, dá para ver que eles se esmeraram para deixar o jogo mais realista possível, enfatizando os detalhes onde realmente é necessário. O som também é muito bom, mas nada de "ohhh", que som animal. Não tem exatamente uma música de fundo, mas a música que toca quando você seleciona os créditos do jogo é bacana.

Do bom vamos para o mau: a jogabilidade não é tão intuitiva assim. De cara uma coisa estranha. Faça o teste: pegue o controle do seu console favorito (SNES, Mega, PS1, PS2, Saturno, XBox, Gamecube, Wii, etc.) e verifique quais botões estão mais apagados. Pois bem: esses são os botões que você mais aperta, certo? Quem joga FPS's normalmente vai ter os botões de "ombro" (Triggers e botões mesmo) mais gastos que os outros. Mas no geral são os botões de ação que ficam mais gastos, mesmo nesses casos. Aliás, em jogos como Metroid Prime (que é um FPS com pulos e um pouco mais de história) nem os botões L e R são muito usados. Os campeões são os botões A e B.

Por que estou dizendo tudo isso? Vamos imaginar que você vai mapear as ações de um jogo de plataforma em primeira pessoa (mais sobre isso adiante) nos botões do seu controle. Você colocaria as ações mais importantes como pular e escorregar/agachar nos botões de "ombro"? Pois é, eu não colocaria. Foi isso que o pessoal da DICE fez. Se fosse o controle do meu saudoso Dreamcast até iria entender. Mas estamos falando do PS3 e do 360, ora bolas!

Imagine morrer pela centésima vez porque você resolveu apertar A, X ou B em vez de LB para pular. Quem foi o "gênio" que teve essa idéia?
Tudo bem, você pode configurar o controle. Mas acho que depois de 20 anos com jogos usando os botões de ação para fazer essas coisas o povo iria deixar desse jeito. Especialmente para um jogo de plataforma e ação em primeira pessoa.

Agora vamos para o "feio": lembram-se do "Gamer's manifesto?" (veja aqui). Veja o item 16 do manifesto. Tudo bem que você pode enxergar os seus pés (mudando a câmera com RS), mas isso não é o suficiente. Qual o problema desse jogo ser em terceira pessoa? Gears of War mostrou que isso é legal. God of War idem. Mario também. Até o novo Sonic vai ser em terceira pessoa e, se não estragarem tudo com aquele negócio de "Were-hog", talvez ele até fique bom. Primeira pessoa é tão anos... 2000!
O que é alardeado como a maior qualidade de Mirror's Edge é, na minha humilde opinião, o seu calcanhar de Aquiles: como o jogo é em primeira pessoa, você vai fazer 90% dos movimentos na "sorte". E vai morrer muuuitas vezes. E no tutorial você vai ver a demonstração do que você deveria ter feito todas as vezes, sem poder cortar. As cutscenes podem ser cortadas, mas esse "demo" poderia ser cortado também.

O grande xis da questão desse jogo é que ele imita uma realidade virtual sem todos aqueles acessórios de imersão. Vai dar certo? Não sei. Só sei que sinto falta da DICE do tempo do Pinball Fantasies e do Mortorhead...

nov02