Resposta ao artigo "A diferença entre analista de sistemas e de negócios"

Estou respondendo ao artigo do Ricardo Veríssimo, no site http://webinsider.uol.com.br

Olá Ricardo, tudo bem?

Eu li o seu artigo sobre Analistas de Sistemas e Analistas de Negócios e achei interessante. Como escrevo muito, achei melhor comentar o seu artigo no meu blog.

Vamos por partes. Em primeiro lugar, esses conceitos de Analistas (tanto de Sistemas, de Negócios, como o
tal do Analista-Programador) estão se tornando defasados a cada dia. Graças às chamadas "filosofias" de construção de sistemas, como XP e Agile, e mesmo com certas metodologias mais ortodoxas, como o processo unificado, há uma têndencia em chamar o usuário para que ele fique mais próximo do processo de desenvolvimento, minimizando enormemente os chamados "venderores de peixe", isto é, os analistas que prometem o céu e a terra para o usuário e, na hora do "vamos ver", o elo mais fraco da corrente (os programadores) é que são responsabilizados.

Alías uma questão fundamental precisa ser levantada: o que o "Usuário"? E a pergunta fica mais interessante quando o numeral também é questionado: quais são os tipos de usuário?

Explico: a maioria das metodologias / filosofias de desenvolvimento de software lidam com a hipótese que há apenas um usuário. Eu, pela minha experiência e pelo que eu converso com pessoas que, como eu, desenvolvem aplicações para os mais diversos tipos de situações, aprendi que não há apenas um tipo de usuário. Podemos encontrar, pelo menos, três tipos:

  1. O usuário-final: é o que realmente irá utilizar o sistema. Vive em um mundo "distópico", pois as coisas nunca serão 100%. Sempre será necessária uma gambiarra, um gato, uma saída de emergência para que o processo (que inclui o sistema) funcione. Normalmente ele não segue as normas da empresa / instituição, mas cria novas normas informais e empíricas. Costuma usar o sistema inicialmente, mas desiste de usá-lo se ele não for baseado em todas as exceções e regras definidas por ele;
  2. O responsável: é o que está na posição diametricamente oposta a do usuário-final. Utópico, acha que tudo que foi idealizado realmente acontece e, se não acontece, o sistema ficará responsável por colocar as coisas nos eixos, e identificar os usuários "infratores". É o mais propenso a cancelar o sistema durante o seu desenvolvimento;
  3. O guia: vive entre os dois mundos, pois nem utilizará o sistema, como o usuário-final, e nem é o responsável que enxerga o mundo com os óculos de esmeralda de "O mágico de Oz". O sistema não costuma sair 100%, e há o risco do sistema ser perfeito... considerando outra realidade, outro mundo.

O ideal para um desenvolvedor, no momento de colher informações antes, durante e depois do desenvolvimento de um sistema, é conversar com esses três tipos de usuário. De cada um pode-se extrair informações valiosas para a confecção do sistema. Um dos desafios de metodologias / filosofias como a XP é que nem sempre há um usuário, muitas vezes as empresas (principalmente as grandes) trabalham com guias e responsáveis, que não permitem que o desenvolvedor veja o processo como um todo.

O termo Analista de Negócios é meio perigoso, já que existe um profissional que faz exatamente o que o A.N. de hoje está fazendo: é o velho conhecido Analista de O. & M. (Organização e Métodos). Hoje em dia, qualquer desenvolvedor tem que ter a capacidade de discriminar as informações que o antigo Analista O & M tinha do processo. Aliás é exatamente por esse motivo que o desenvolvedor precisa estar o mais próximo possível do usuário, e vice-versa.

O maior perigo no desenvolvimento de aplicações, sistemas, etc., contudo, não é a metodologia em si, mas por a mão na massa. E, infelizmente, isso está cada vez mais "fácil", ou cada vez mais difícil de conceber softwares de maneira rápida, sem perder a organização do código e o foco no desenvolvimento, em vez de um foco no método.

É isso.

Abraços

Robson França

O link para o artigo é : http://webinsider.uol.com.br/index.php/2008/01/12/a-diferenca-entre-anal...